HOMILIA – 3° DOMINGO DO TEMPO COMUM
ARQUIDIOCESE METROPOLITANA DE APARECIDA
Aos meus Eminentíssimos e Excelentíssimos irmãos,
Reverendíssimos Presbíteros e Diáconos,
Religiosos e Religiosas,
Saúde e Paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Caríssimos filhos e filhas, hoje celebramos com muita alegria o 3º Domingo do Tempo Comum, e a liturgia de hoje nos convida a abandonar as trevas e, principalmente, a seguir Jesus, se formos escolhidos.
A primeira leitura vai nos falar de um povo que vivia nas trevas e na humilhação, e o profeta Isaías anuncia que uma luz vai se levantar e trazer alegria àquele povo, como no tempo da colheita. Mas o que isso quer dizer? O tempo da colheita é um tempo, em nossa vida, de modo particular na vida dos agricultores que vivem no interior e nas regiões rurais, em que, depois de meses perseverando, plantando e acreditando, as plantas, os frutos e os vegetais estão prontos para serem recolhidos. É um tempo de muita fartura.
Isso pode ser associado à primeira leitura, na medida em que, depois de um tempo de trevas, espera e perseverança, o povo acredita que, por meio de Isaías, há de vir uma luz para libertá-lo dessa humilhação, após oração e espera confiante no Senhor.
Assim, a primeira leitura se liga diretamente ao Evangelho, no qual Jesus pede que todos se convertam: “Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo.” Ele nos chama a aceitar a luz, a nos arrepender de termos pecado e de termos ido contra o Criador. Mas por que Jesus pede isso? Sabemos que Ele, como Deus, tem autoridade sobre tudo, pois tudo o que acontece ocorre com a sua permissão. Contudo, Ele não nos obriga, pois desde Adão deu ao ser humano o livre-arbítrio. Ele não quer que sejamos robôs que apenas seguem ordens; Ele quer que o amemos de todo o coração, por nossa livre vontade.
Assim como Ele chamou homens à conversão e ao arrependimento, Ele também nos chama para missões dentro da Igreja, seja para servir ao altar como coroinha, seja para ingressar no seminário e tornar-se padre. O Senhor chama pessoas à conversão, mas também chama homens para trabalhar em sua messe, como ouvimos no Evangelho: “Vinde e segui-me, e farei de vós pescadores de homens.”
Devemos ser como Pedro e André, que seguiram esse chamado confiando em Deus, assim como diz o salmo quando o refrão afirma que o Senhor é luz e salvação, e que não devemos temer, pois estamos com Ele. Isso me faz lembrar uma aclamação que diz: “Aleluia, aleluia, aleluia! Jesus Cristo vai falar. Aleluia, aleluia! Ide pelo mundo, o Evangelho anunciar!” Mas como invocarão aquele em quem não creram? E como poderão crer se ainda não ouviram? E como poderão ouvir se não houver quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Esse canto de aclamação nos faz refletir sobre a decisão de uma pessoa que não quer ser enviada. Jesus a envia para anunciar o Evangelho, mas ela recusa o envio, e isso traz consequências, se assim podemos dizer. Pois, quem não é enviado não pode pregar; se ninguém prega, não há quem ouça; se ninguém ouve, não há quem creia; e quem não crê não invoca o Senhor, não conversa com o Senhor.
Por isso, é importante que, quando Jesus nos liberta da escuridão, nos mostra a sua luz e nos confia uma missão, nós a aceitemos, abandonando tudo para seguir a Cristo. Isso se liga à segunda leitura, que nos ensina que não pode haver divisões: é necessário um “sim” definitivo ou um “não” definitivo. Não é da índole de quem prega estar envolvido com as coisas do mundo; não é da índole de quem frequenta a Igreja estar em festas que exaltam o pecado. Um exemplo disso é o carnaval. É necessário que estejamos atentos para acolher a luz, nos converter, ser enviados, se formos escolhidos, e estar sempre com a certeza de Cristo. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
